Frase da semana

"Nada posso lhe oferecer que não exista em si mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo além daquele que há em sua própria alma. Nada posso lhe dar, a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo". Hermann Hesse

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Sonho meu IV - decodificando os sonhos




O conteúdo do sonho é mais dinâmico e profundo do que uma análise racional sobre suas partes, mas, como exercício para acessar mais a linguagem dos sonhos, você pode começar a praticar algumas regrinhas para ampliar seu repertório diante da infinidade de símbolos e mensagens que o sonho proporciona. Aqui você acompanha um roteiro para interpretação de sonhos:

1. Ao despertar faça poucos movimentos para se lembrar ao máximo de conteúdos do sonho. Procure acordar sem despertador também, pois ele faz com que nos desliguemos do estado de despertar natural e esqueçamos mais facilmente do sonho.

2. Anote o sonho assim que acordar (deixe caderno e lápis ao lado da cama).

3. Registre os sentimentos que seu sonho suscitou.

4. Classifique os elementos e símbolos que aparecem no sonho. Para cada elemento você coloca ao lado o significado pessoal que você atribui a ele como, por exemplo, sonhei com cachorro e para mim cachorro eu associo com ameaça, porque fui mordida por um cachorro na infância. Este é seu símbolo pessoal sobre cachorros e é mais importante do que o símbolo coletivo que, nesta caso, muitas vezes conota lealdade, amizade incondicional.

5. Anote também como estes elementos são interpretados a partir da simbologia coletiva, Para isso consulte um bom dicionário de símbolos. Uma dica preciosa é o de Jean Chevalier, da editora José Olympio.

6. Anote as ações das personagens e os temas que surgem no sonho.

7. Anote os cenários aonde ocorrem os temas.

8. Anote as palavras-chave do sonho e desenhe algum símbolo desconhecido, se surgir.

9. Escreva as personagens do sonho. Quais são as suas características? O que elas estão fazendo no sonho? O que elas representam na minha “vida real”?

10. Tente clarear, a partir disso, qual é o conflito vivido no sonho. Coloque este conflito em uma frase descrita em primeira pessoa.

11. Dê um título para seu sonho.

12.Abstraia o significado lógico e literal do sonho para tentar ver o que inicialmente pode parecer uma busca pelo significado do sonho. A esta altura você tem várias indicações que anotou nos itens anteriores que podem te ajudar nesta tarefa. Começe a fazer suas associações como se tivesse montando um quebra-cabeças com a junção destas informações coletadas.

13. Decida o que você pode fazer a partir da mensagem que compreendeu do sonho.

14. Aplique o sonho na vida real para que você possa firmar um compromisso com a mudança e o sonho não “caia no vazio”.

Com o tempo e a prática você não precisará mais seguir este roteiro, mas sempre tome cuidado para não simplificar o sonho a ponto de somente interpretar o que está aparente. Às vezes é importante que nos aprofundemos um pouquinho mais...

Se você quiser tirar dúvidas ou comentar como foi fazer o roteiro para você comente o post ou mande um e-mail.

Sonho meu III - acessando os sonhos

Aqui estão algumas técnicas transpessoais para acessar os sonhos:
 Incubando sonhos: neste exercício eu faço uma pergunta relacionada à um tema específico da minha vida que necessita de mais clareza e peço para receber sua mensagem no sonho. A pergunta pode ser colocada por escrito em baixo do travesseiro (como fazemos quando criança para a “fada do dente”) para que nossa mente grave a informação e, desta maneira, fique mais fácil lembrarmos do sonho. As perguntas ou o tema que eu escolhi não devem ser do tipo que podem ser respondidas com um “sim”ou um “não”. Devem ser, por exemplo: Como posso compreender melhor meu desentendimento no relacionamento afetivo?

 Sonho lúcido: para sonhos lúcidos eu me proponho tarefas, me programo, passo a ter ações conscientes no sonho. Elenco alguns símbolos que me dizem que estou sonhando como, por exemplo, olhar para minha mão durante o sonho, apagar um interruptor de luz quando sentir-se no sonho, etc.

 Sonho inacabado: para “fechar a Gestalt” eu finalizo o sonho mesmo que conscientemente, no estado de vigília.

Os biotipos ou doshas


A combinação dos cinco elementos primordiais: éter, ar, fogo, terra e água definem padrões tipológicos humanos chamados em sânscrito de doshas. Os doshas podem ser igualmente traduzidos como “as forças naturais que facilmente desequilibram”.
Para isso é de fundamental importância nos conhecermos e sabermos como estas forças atuam em nós, determinando padrões de comportamento, pensamentos, nosso estado de saúde ou doença.
Existem três biotipos ou doshas: Vata, Pitta e Kapha. Cada biotipo deve ser nutrido com alimentos, pensamentos e emoções específicos, deve ter uma rotina específica, cuidados em determinadas estações do ano, utilizar determinadas ervas para cuidar de sua saúde e manter certas condutas que favorecem seu equilíbrio. Uma pessoa pode ter um biotipo único ou ser a combinação de dois como, por exemplo, Pitta-Kapha, Vata- Pitta ou ainda até ser tridosha (os três biotipos predominam em sua natureza).
Normalmente no Ayurveda fazemos um diagnóstico para avaliar qual é sua constituição original (física e psicológica), mas em linhas gerais cada biotipo é caracterizado da seguinte forma:


Vata: formado pelos elementos ar e éter.
Uma pessoa Vata apresenta predominância do elemento Ar em sua constituição. Fisicamente têm uma estrutura muito alta ou muito baixa, magra, longilínea e muitas vezes assimétrica e irregular, articulações proeminentes, pele e cabelos secos. Tem o apetite irregular e move-se no mundo com rapidez, cansando-se pelo excesso de atividade.
Como tendências ao desequilíbrio físico, apresentam constipação, gases, dores articulares, debilidades ósseas, insônia e distúrbios psicológicos.
Intelectualmente são pessoas que tendem a ser rápidas no pensamento, mas retêm por pouco tempo as informações obtidas. São ligadas à espiritualidade e assuntos subjetivos, sutis, energéticos, à arte, dança e todas formas de expressão artística em geral.
Emocionalmente, as pessoas desta constituição são criativas, flexíveis, ágeis de pensamento, estão sempre em movimento (assim como o vento). Em desequilíbrio sofrem principalmente de ansiedade, medo, angústia, agitação mental e dúvida, o que fazem com que mudem de idéia rapidamente.



Pitta: formado pelos elementos fogo e água.
Numa pessoa Pitta predomina o elemento Fogo. Fisicamente têm uma estrutura mediana, atlética, com músculos desenvolvidos e rosto angular, pele clara e rosada, com leve oleosidade e brilho, tendências a olhos e cabelos mais claros, temperatura corporal quente, olhar penetrante.
Como tendências ao desequilíbrio físico, apresentam calvície ou cabelos precocemente grisalhos, inflamações constantes (gastrites, úlceras, por exemplo), problemas de pele, olhos e fígado.
Intelectualmente são pessoas inteligentes, com boa capacidade de discernimento. Emocionalmente são empreendedoras, objetivas, líderes por natureza. Vêem o mundo de forma prática e estratégica, são altamente críticas. Em desequilíbrio são pessoas “inflamadas”, raivosas, que irritam-se com facilidade, controladoras, agressivas e dominadoras.



Kapha: formado pelos elementos terra e água.
Neste biotipo o principal elemento é a água. As pessoas de predomínio Kapha são estruturalmente grandes ou pequenas, mas robustas, com estrutura óssea larga, pele e cabelos oleosos, olhos e bocas grandes, forte resistência física.
Quando desequilibram-se fisicamente apresentam tendências à obesidade, diabetes, excesso de muco, asma.
Intelectualmente são pessoas de memória longa e duradoura, tendem a fixar os fatos baseando-se na qualidade emocional da experiência.
No aspecto psicológico são pessoas calmas, generosas e amáveis, amigos fiéis, estáveis e românticos. Encontram prazer em atividades ligadas à jardinagem, culinária, pesca e artesanato.
Em desequilíbrio são pessoas que tendem à busca pelo prazer excessivo, apego, acumulam mágoas, tristezas, se deprimem com facilidade, ficam mais letárgicos e desmotivados.

Lembrando que, além de você poder ser somente VATA, PITTA ou KAPHA,  podemos ter diversas combinações dos doshas:
VATA- PITTA
PITTA-VATA
VATA-KAPHA
KAPHA-VATA
KAPHA-PITTA
PITTA-KAPHA
VATA-PITTA-KAPHA

terça-feira, 19 de julho de 2011

Descubra seu biotipo

Este questionário é para matarmos um pouco a curiosidade à respeito de qual dosha se aproxima mais de nossa constituição física e mental, para facilitar as nossas descobertas e orientações que vão ser dadas neste blog.
Mas, de forma alguma substitui uma avaliação mais específica de um terapeuta ou médico ayurvedico que terá condições de avaliar todas as sutilezas que cada biotipo pode ter.
Procure ser o mais sincero possível em suas respostas e tente considerar não somente o momento presente, mas como você costuma ser desde a infância. Esta deve ser sua constituição original (prakritti), que é herdada dos seus pais no momento da concepção. As características que lhe são mais evidentes no momento presente - se sofreram muitas alterações comparadas à infância e outras fases de vida - podem estar indicando sua vikritti, ou seja, o desequilíbrio marcado por este momento de sua vida. Portanto, procure considerar características que lhe acompanham por mais tempo.

Marque de 0 a 6 para as questões abaixo de acordo com o nível de proximidade (O para nenhuma proximidade e 6 para quando a resposta se encaixa perfeitamente a você). Some o total de pontos em cada questionário para saber se você tende a ser mais Vata, Pitta ou Kapha. Se mais de um dosha estiver com pontuação alta, provavelmente você é bidosha (Vata-Pitta, Vata-Kapha, Pitta-Vata, Pitta-Kapha, Kapha-Pitta, Kapha-Vata), o que é muito comum. Mais raramente é encontradas pessoas tridoshas (Vata-Pitta-Kapha), mas também é possível.

QUESTIONÁRIO VATA:
1.       Você caminha rápido? Fala ou age rapidamente?
2.       Aprende rápido?
3.       Você esquece as coisas rapidamente?
4.       É espontâneo, vivaz, tagarela?
5.       Você tende a ser magro ou perder peso rápido?
6.       Você tem mãos e pés frios?
7.       Sua pele tende a ser mais seca no outono/inverno?
8.       Você tende a ser emocional, ansioso ou preocupado?
9.       Você detesta vento, clima frio e seco?
10.   É uma pessoa que tem dificuldade de tomar decisão?
11.   Costuma ter gases e constipação?
12.   Você tende a ter o sono leve e/ou agitado?
Total de pontos: ______________

QUESTIONÁRIO PITTA:
1.       Você tende a ter uma digestão forte, come qualquer coisa e tem boa digestão?
2.       Fica muito irritado quando a comida atrasa?
3.       Você tende a transpirar muito (suor úmido/fluido)?
4.       Gosta do clima quente e prefere o frio?
5.       Você é uma pessoa que tende a ficar impaciente ou com raiva?
6.       Tende a ser organizado, perfeccionista, metódico?
7.       Seu intestino funciona bem e, quando não está bem você tem diarréia?
8.       Gosta de bebidas e comidas frias?
9.       Você gosta de estudar? Tem lógica e clareza mental?
10.   Você tem uma estrutura física mediana?
11.   É agressivo, contundente, incisivo?
12.   Seu cabelo tende a ser fino, leve ou ficou grisalho muito cedo?
Total de pontos: ______________

QUESTIONÁRIO KAPHA:
1.       Você pode pular uma refeição sem se sentir desconfortável?
2.       Você tende a ter uma mente calma, tranquila?
3.       Você caminha muito lento e estável? Seu trabalho é muito estável?
4.       Tende a ter muco, congestão, asma?
5.       Tende a ganhar peso com facilidade e tem dificuldade de perder?
6.       Você sente a necessidade de dormir 8hs?
7.       Você não fica ou raramente fica com raiva? É mais comum chorar, sentir tristeza?
8.       Tem uma pele suave, macia?
9.       Você é um “doce”de pessoa?
10.   Tem boa resistência, raramente fica cansado?
11.   Você detesta o clima frio e úmido?
12.   Você tem uma memória lenta, mas muito boa?
Total de pontos: ______________


Tendo a pontuação final você pode buscar mais informações neste no post sobre Biotipos em AYURVEDA.
*Este questionário foi extraído de um material de Deepak Chopra a quem agradecemos.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Sonho meu II - tipos de sonhos















Podemos dividir os sonhos em:
Recorrentes: são sonhos que se repentem com uma certa freqüência. Podem conter uma mensagem que ainda não foi integrada na consciência, um padrão mental que se repete e que precisa ser transformado. Geralmente quando compreendemos este tipo de sonho e mudamos as repetições em nossos comportamentos ele deixa de surgir...

Residuais: são sonhos que trazem atividades que foram realizadas durante o dia. Por exemplo: sonhar que você continua trabalhando, com um filme que acabou de assistir. Estes sonhos, porém, podem ser interpretados de acordo com a temática que ele sugere.

Pesadelos: sonhos de conteúdo desagradável, agressivos, horripilantes. Podem estar revelando aspectos de nossa sombra ou algo que ememos na vida consciente.

Inacabados: sonhos que não tem um fim definido. Exemplo: “estava caindo de um lugar muito alto e acordei”. Neste caso um exercício bem importante é o de, ao acordar, completar conscientemente o sonho. Desta forma você fará uma “ponte”entre o que está inconsciente com a consciência e o sonho pode ser interpretado da mesma forma que os outros.

Lúcidos: neste tipo de sonho eu tenho a consciência de que estou sonhando e, desta forma, posso intervir em meu sonho. Normalmente o sonhador que está lúcido se percebe sonhando quando algum evento extraordinário acontece (exemplo: eu estou voando, logo estou sonhando porque seres humanos não voam!). Existem diversas técnicas para sonhar lucidamente, mas este é um tema para próximas postagens!

Simbólicos pessoais: sonhos que trazem, através de símbolos, uma mensagem ao sonhador. Em algumas circunstâncias podem ser também chamados de “sonhos de cura”.

Simbólicos coletivos: sonhos que trazem mensagens simbólicas relacionadas à uma comunidade, ao coletivo. São os chamados pelos índios “sonhos de visão”, pois são direcionados à toda tribo.

Premonitórios: sonhos que antecedem acontecimentos reais ou que têm uma relação, mesmo que indireta, com acontecimentos futuros. Por exemplo: toda vez que eu sonho com gravidez alguém que eu conheço muda de casa; sonhei com uma criança e a pessoa envolvida perdeu um bebê.


*Créditos:
imagem, link

Sonho meu



















Ao adormecer passamos por fases de sono diferentes, indicados por ondas de frequência específicas. Sendo assim, um ser humano comum, sem dificuldades para dormir, passa pelos seguintes estágios do sono:


• Ondas BETA – ocorrem antes de adormecer. Ë o que chamamos de estado de vigília.
• Ondas ALFA –ocorre o sono REM, estágio onde presenciamos os sonhos, como experiências transpessoais e estados meditativos (considerados estados ampliados de consciência).
• Ondas TETA – estágio de sono profundo.
• Ondas DELTA – sono muito profundo (reparador ou terapêutico), sono que faz realmente nós nos sentirmos descansados ao acordar.

O ciclo completo do sono leva em média 90 min. Passamos pela fase REM do sono cerca de 4 a 5 vezes por noite, o que significa que sonhamos 4 a 5 vezes aproximadamente e cada sonho tem cerca de 3 a 5 minutos.

Pesquisas também indicam que o hemisfério direito do cérebro (ligado à criatividade, à arte, ao aspecto intuitivo) atua mais no momento do sonho, por isso é tão importante sonhar, pois estamos desenvolvendo habilidades específicas além de acessar a linguagem dos conteúdos do inconsciente.

Decifrando os sonhos...
O sonho é como um código secreto que nossa mente racional, lógica não consegue acessar através de sua linguagem analítica. Ele é repleto de símbolos (universais e pessoais) e associações.

O sonho muitas vezes tem uma relação direta com as experiências vividas pelo indivíduo em seu estado de vigília (acordado), mas também são associações que operam no nosso inconsciente de forma desordenada para nossa compreensão linear habitual.

As imagens do sonho não devem ser traduzidas de forma literal (o que desvia o significado do sonho), mas sim de forma abstrata e simbólica. Por exemplo, se você sonhou com uma morte não necessariamente isto vai ocorrer na vida concreta (a não ser que seja um sonho premonitório, que é muito raro), pode ser o símbolo de alguma mudança ou transformação de um estágio para outro em sua vida.

As personagens de um sonho muitas vezes são a expressão de nós mesmos em nossas múltiplas facetas. Portanto é importante muitas vezes que o sonhador faça o exercício de se colocar no lugar de cada personagem do sonho, criando uma empatia com a experiência vivida por ela e identificando se, de fato, existem coisas a serem observadas que cada personagem está contando para você.

O sonho é uma possibilidade de projetarmos a nossa sombra, ou seja, aquela parte de nós que inconscientemente rejeitamos ou escondemos. Nossa sombra revela esta parte obscura que não necessariamente são coisas ruins e “podres”de nós, mas também nossos talentos e potenciais escondidos.

O sonho também pode nos preparar para a experiência de morte num nível mais profundo, pois ao assumirmos nossa identidade onírica temos a capacidade de nos entregarmos para uma dimensão transpessoal (sem tempo/espaço cronológicos), o que ocorre na experiência da morte de forma semelhante. Ele nos ensina a capacidade de “Entrega”. Muitas vezes as pessoas que sofrem de dificuldade de dormir (insônia) ou não conseguem lembrar de seus sonhos são pessoas controladoras na vida prática, não conseguem confiar no desenho que a vida proporciona, não conseguem se entregar para o imprevisível e para o improviso que faz parte de toda experiência humana.

As funções dos sonhos
Os sonhos possuem um papel muito importante em nossas vidas. Nas tribos indígenas antigas, os sonhos eram uma forma de visão que indicavam os passos a serem dados dentro da tribo.

Na nossa vida cotidiana, os sonhos ainda podem ser instrumentos para nos ajudar a solucionar problemas, ser um sistema de reorientação interior, fornecendo clareza um nossa jornada de existência.

Os sonhos também podem ser uma complementação de nossas polaridades, fazendo emergir na consciência a oposição ou o conflito que estamos vivenciando inconscientemente.

Outra função importante é a de reprogramar a nossa consciência, trazendo à tona novos hábitos e condutas mais favoráveis a nosso ser. Isso se nós dermos a atenção merecida à esta fonte de aprendizado e de transformação que é o sonho.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Abra seu coração 2
















Além de aplicar o perdão e a compaixão em sua vida, a prática de Yoga pode ser bem benéfica para iniciarmos um processo de liberação das emoções reprimidas. Algumas sugestões de prática:


USTRASANA – postura do camelo (Ustra = camelo)
1. Ajoelhe-se e fique com joelhos e pés unidos, peitos dos pés apoiados no chão com os dedos relaxados;

2. Encaixe o quadril, deixe o abdômen firme e a coluna ereta;

3. Apóie as mãos espalmadas na base da coluna, parte posterior do quadril;

4. Leve os ombros e cotovelos cada vez mais para trás com a intenção de aproximar os cotovelos;

5. Mantenha o quadril na mesma linha que os joelhos, não projete o quadril para frente ou para trás, fixando-os;

6. Ainda com o quadril encaixado, contraia glúteos e abdominal, incline o tronco para trás e aponte seu queixo para cima;

7. NÃO projete o quadril para frente com a pressão das mãos;

8. Apóie as duas mãos espalmadas na sola dos pés, abrindo ainda mais o peito, apontando-o para cima;

9. Caso tenha dificuldade nesta etapa, tente as seguintes alternativas:
• Afaste um pouco os dois joelhos um do outro;
• Apóie as mãos nos calcanhares;
• Apóie as mãos nos calcanhares com os dedos dos pés virados para o chão;

10. Se ainda for difícil, pule os passos 8 e 9;

11. Intenção de crescer a coluna e o pescoço para cima e para trás;

12. Mantenha a postura estável e confortável;

13. Concentre-se em respirações profundas e tranqüilas (5 a 12 respirações no início);

14. Finalizando: com a força dos pés e joelhos empurrando o chão, volte o apoio das mãos na base da coluna, leve o tronco na mesma linha que o quadril, voltando para a posição vertical.

15. Para descansar, leve o quadril na direção dos calcanhares, testa na direção do chão e braços ao longo do corpo.

Dicas importantes:
1. Evite esta postura se estiver com problemas intestinais, pressão alta, dor de cabeça ou se for cardíaco;
2. Fique atento à posição do quadril e das pernas, o mais importante na postura é mantê-los estáticos enquanto a inclinação ocorre somente na parte superior do corpo;
3. Proteja a sua lombar mantendo o encaixe do quadril a todo o momento;
4. À medida que inclina o tronco para trás, cresça a coluna. Tanto a parte posterior como a anterior do tronco devem estar alongadas.
5. Caso sinta desconforto na coluna torácica ou lombar, diminua a inclinação do tronco para trás.

Efeitos benéficos da postura:
1. Diminui a rigidez das costas, ombros e tornozelos, mantendo a coluna flexível e saudável;
2. Alonga da região anterior dos braços e do corpo;
3. Fortalece o sistema imunológico;
4. Abre o coração, mantendo a disponibilidade e a entrega para as relações afetivas.


UJJAYI (Ud = para cima, de nível superior, soprar, expandir, proeminência, poder; Jaya = conquista, vitória, triunfo, sucesso, coerção, restrição)

1. Sente-se confortavelmente em Sukhasana (pernas cruzadas) ou numa cadeira, com a coluna ereta, olhando para frente;

2. Durante uma expiração prolongada, murmure a palavra haaaaa de forma que esta respiração produza um ruído de leve fricção ao passar pelo palato (entre a boca e a garganta); é um som semelhante ao de embaçar um vidro, ou ainda o som que ouvimos no interior de uma concha.

3. Experimente fazer com os lábios abertos e quando estiver sentindo a vibração suave do som na pate de trás da garganta, passe a fazer a respiração de lábios fechados.

4. Sentindo facilidade, experimente produzir o mesmo som ao inspirar.

5. Complete o ciclo da respiração - inspiração, pausa com o ar nos pulmões e expiração – repetidas vezes. O tempo deve estabelecer uma proporção de 1:2:2, ou seja, se for inspirar em 4 segundos, retenha 8 e exale 8 segundos.

6. Esta prática deve ter a duração média de 15 minutos.

Dicas importantes:
1. Observe se o som de sua respiração é seco como o vento e oco e não anasalado.
2. As narinas devem estar relaxadas (não puxe o ar com força, deixe a respiração acontecer naturalmente).
3. Algumas pessoas conseguem realizar esta respiração com facilidade, outras levam mais tempo para aprendê-la. No entanto, não desanime. Faça quantas respirações precisar com os lábios abertos até conseguir!
4. Não faça se estiver com irritações ou inflamações na garganta.

Efeitos benéficos deste pranayama:
1. Acalma a mente e os sentidos;
2. Traz leveza, bem estar e tem efeito energizante;
3. Promove tranquilidade e, ao mesmo tempo, força para lidar com as adversidades da vida.

Não entendeu alguma coisa? Escreva-me um comentário abaixo ou envie um e-mail.

Vamos Meditar?
























Meditar é uma questão de treino. Assim como treinamos nossos músculos para que fiquem firmes e fortes com a prática de exercícios físicos, exercitamos a mente através da prática de meditação. Se você deseja meditar é preciso cuidar de detalhes fundamentais para a prática ocorrer:

Escolha um local tranqüilo e livre de distrações. De preferência sempre o mesmo local, onde as vibrações da meditação irão se concentrar e facilitar o treino.
Busque uma posição confortável. Geralmente as pessoas meditam sentadas no chão de pernas cruzadas ou na postura de lótus (dorso dos pés apoiados na base das coxas, pernas cruzadas). Se você, de início, se sente desconfortável nestas posições, procure meditar sentado em uma cadeira, sem o apoio das costas no encosto e com a planta dos pés apoiadas no chão. Você também pode meditar em movimento, mas no início sugiro que começe sentado de olhos fechados, pois sem o estímulo visual fica mais fácil começar.
Procure escolher um horário para meditar. A meditação realizada no mesmo horário traz disciplina à prática, o que é fundamental para qualquer treino. No início você pode optar por um tempo de permanência menor (cerca de 10 minutos), aumentando gradativamente para 20 a 30 minutos (tempo médio) e 1 a 2 hs (tempo desejável).

Daniel Goleman, autor do livro “Mente Meditativa” traz algumas dicas de meditação que são possíveis de serem realizadas individualmente, pelo aspirante à meditação:

Meditação sobre a respiração: consciência da respiração. Ao dispersar voltar para este foco.
Mantra: Os mantras originalmente são repetidos em sânscrito (língua raiz indiana). Mas se você não foi instruído por algum mestre sobre o mantra apropriado para você neste momento, utilize uma palavra ou som simples que tenha um significado positivo. Repita-a mentalmente, concentrando-se e evite dispersões.
Respiração atentiva: usar as distrações como objeto de meditação. Exemplo: se sua mente se distrair com um som que você ouvir, rotule esta distração de “ouvindo”. Cada vez que tiver rotulado uma distração, trazer a mente de volta à respiração.
Comer atentivamente: prestar atenção total e cuidadosa a cada aspecto a experiência. Evitar automatismos. Esta prática deve ser feita de olhos abertos.
Andar atentivamente: Tirar o sapato, andar levando sua atenção para o caminhar. Cada intenção também é considerada. Ficar atento às sensações. Ficar presente. É melhor começar andando lentamente, de forma mais natural possível, sem deixar com que você se pareça com um robô.

Se você sente que é o momento de iniciar alguma prática meditativa, não deixe para depois. Inicie realizando a prática por pouco tempo, mas diariamente. Levam-se alguns meses para que a construção do hábito seja instaurado, portanto pratique! Não dê vazão aos pensamentos negativos que surgem durante a meditação, apenas identifique-os e os deixe passar. Após algum período de prática já é possível observar os resultados físicos e psicológicos, após mais tempo, a sua relação com a espiritualidade aumenta e finalmente você começa a se encontrar verdadeiramente na prática.
Bom trabalho!

Para saber mais:
"A Mente Meditativa: as diferentes experiências meditativas no oriente e no ocidente"de Daniel Goleman - Editora Ática.

Meditação: efeitos, benefícios e contra-indicações















Ao iniciar uma prática meditativa é muito importante observar se o tipo de meditação escolhida é adequado a sua personalidade, caso contrário você pode passar por sensações desagradáveis. A busca por profissionais e mestres que atuam na prática com seriedade é fundamental para garantir que sua experiência seja positiva. Segundo Dra. Florence Gaillard, existem alguns indícios de que a prática de meditação está correndo bem. São eles:
• Sensação durável de bem estar;
• Sensação de revitalização;
• Desaparecimento de qualquer sentimento negativo (depressão, medo, sentimento de culpabilidade, inferioridade);
• Profundo sentimento de paz e harmonia;
• Sono mais profundo e reparador após a prática da noite;
• Possibilidade de dormir menos, pois o sono é de melhor qualidade;
• Sonhos mais sadios – a violência, os cenários sexuais tendem a desaparecer;
• Sentimento durável de paz interior;
• Impressão de entender melhor o sentido dos acontecimentos e o objetivo de sua existência;
• Desaparecimento progressivo dos medos e estados depressivos;
• Desenvolvimento da compaixão e da compreensão dos outros, resultando numa diminuição da raiva, da impaciência e dos comportamentos negativos;
• Desenvolvimento gradual do sentimento de felicidade.

Alguns cientistas que se dedicaram ao estudo da meditação e seus efeitos clínicos/fisiológicos constataram nos praticantes de meditação:
• Melhora no controle da neuroquímica das emoções (sistema límbico);
• Reduções da freqüência cardíaca (quando a prática de meditação não é dinâmica);
• Alterações do fluxo sanguíneo encefálico e da atividade eletroencefalográfica (aumento das ondas ALFA ou BETA durante a meditação);
• Modificações nas concentrações de inúmeras substâncias neurotransmissoras;
• Variações neuronais (hiperpolarização dos neurônios);
• Quedas do consumo de oxigênio e da produção de gás carbônico;
• Reduções da temperatura corporal (exceto em práticas que aceleram o metabolismo, como a dos “monges secadores de toalhas” - ver Mitos e verdades sobre Meditação neste blog);
• Aumentos no volume sanguíneo;
• Alterações dos sentidos e das percepções;
• Ativação do córtex pré-frontal esquerdo;
• Melhora do sistema imunológico;
• Desenvolvimento da Inteligência Espiritual, ou seja, da capacidade de manter constantemente os princípios e leis espirituais que regem a vida.

A Meditação também pode contribuir para o autoconhecimento:
• Tornando as pessoas mais conscientes dos seus processos mentais e da maneira inadequada de reagirem aos acontecimentos estressantes;
• Fortalecendo a formação de uma personalidade sadia;
• Trazendo a sensação de “centramento”, ou seja, propiciando melhor contato consigo mesmo e com o campo de relações, fortalecendo a capacidade de autocontrole;
• Aumentando a atenção em relação às interferências externas, permitindo-se não se identificar com as mesmas;
• Auxiliando no tratamento de doenças do pânico, distúrbios de ansiedade, doenças psicossomáticas;
• Facilitando o acesso ao inconsciente, à memórias e sentimentos recalcados;
• Reorientando a mente rumo à estados mais elevados de consciência.

No entanto, apesar da meditação ser uma técnica que amplia e facilita muito o campo de atuação da área da saúde, existem algumas restrições em relação a sua aplicação:
• Em quadros de desordens internas ou mentais (esquizofrenia, fobias, boderline);
• Em quadros de transtornos obssessivo-compulsivos (os indivíduos que têm TOC podem ser muito fechados às experiências novas para tentar a meditação ou, por outro, serem bastante esforçados e conseguirem meditar).
• Em estados emocionais agudos (crises, emergências espirituais);
• Em pessoas que apresentam dificuldade de lidar com o mundo material (lidar com suas obrigações familiares e sociais, apresentam necessidade de fuga, pessoas viciadas em drogas).

Para escrever este post, consultei os seguintes artigos:
"The use of meditation in psychotherapy: a review of literature" de M.A. Bogart - American Journal of Psychotherapy, vol. XLV, n. 3, July, 1991.
"Meditação e saúde" de Florence Gaillard - Cadernos de Yoga, 6a edição, ano II, 2005.

O que é Meditação?


A meditação não é algo que se faça, ela já está pronta. É principalmente um estado de consciência que atingimos quando os cinco sentidos se aquietam, o intelecto gradualmente silencia, o coração assume um estado de paz inabalável e a serenidade mental surge. Este estado vêm e vai e conforme o tempo de prática e a persistência do meditador. Um mestre de yoga indiano chamado Iyengar, produz belamente em suas palavras o que acontece neste estado de meditação:


“Quando a mente alcança a alma e a ela se funde, a alma fica livre, permanecendo daí em diante em paz e em estado de beatitude. Se uma ave é mantida dentro de uma gaiola, não tem possibilidade de se movimentar. No momento em que a gaiola é aberta, a ave sai e ganha a sua liberdade. E o homem alcança a liberdade quando a mente se liberta do cativeiro do corpo e passa a repousar no colo da alma”.

Existem, basicamente, algumas formas de meditar, que variam de técnica a técnica. São elas:

Concentração: a mente focaliza em um objeto, som, foco específico até que este domine por completo a mente do meditador.
Atentividade: A mente observa-se a si mesma em todas as situações (pensando, sentindo, andando, comendo). É desenvolvido um “eu testemunha”.
Destemor: pratica-se uma certeza destemida e uma confiança profunda de que nada poderá perturbá-lo.
Compaixão: cultiva-se um intenso sentimento de amor e compaixão por todos os seres vivos.
Devoção: o meditador tem como foco principal o amor incondicional ao seu mestre, ou à deidade de sua crença religiosa.
Visualização: o praticante esforça para construir em sua tela mental uma imagem específica e concentrar-se nela.

Todas estas formas de meditar têm uma meta em comum: visam a iluminação, o estado de não perturbação mental, e a consciência do Todo. Apesar da meta da meditação estar relacionada diretamente à transcendência, ao meditar nós também adquirimos “de brinde” melhoras no funcionamento físico, mental e emocional.

É como se no dia a dia estivéssemos com nossa mente plugada em várias tomadas diferentes. Com a meditação desplugamos as tomadas provocando um estado de relaxamento que faz com que possamos lidar com as situações do dia a dia com mais calma e discernimento...

Para ampliar este tema, indico os livros que me inspiraram neste artigo:
“ A Mente Meditativa: as diferentes experiências meditativas no oriente e no ocidente” de Daniel Goleman - Editora Ática.
“ A árvore do Ioga: a eterna sabedoria do ioga aplicada à vida diária” de B.K.S. Iyengar - Editora Globo.

domingo, 22 de maio de 2011

Panchakarma - desintoxicação e tratamento de doenças



















O que é Panchakarma?
Ao longo dos anos, com ós habitos alimentares ruins, má digestão de emoções e sentimentos, tendemos a acumular toxinas no sistema digestivo e estes órgãos, impregnados de toxinas - que formam camadas em suas paredes- ficam com sua capacidade de absorção dos nutrientes prejudicada.

Para o Ayurveda, o primeiro estágio do que chamamos de doença começa com os pequenos problemas de digestão: gases, indigestão, sensação de queimação após refeições entre outros. Após este estágio, a agravação dos problemas digestivos extravasa para os tecidos do organismo e gera doenças mais graves. Na visão da Medicina Ocidental a doença só existe depois de instalada em algum órgão ou tecido específico. Por isso a importância de olharmos para as doenças como o Ayurveda para termos a chance de nos prevenir e cuidar mais de nossa saúde.

O Panchakarma é um tratamento indicado para tratamento de doenças, prevenção e manutenção da saúde. "Pancha" significa cinco e "karma" significa ação; são cinco terapias utilizadas para eliminação de toxinas e fortalecimento dos tecidos:

- Vamana (vômito terapêutico): elimina toxinas armazenadas no estômago;
- Virechana (diarréia terapêutica): elimina toxinas do fígado e intestino delgado;
- Bastis (enemas): elimina toxinas no cólon;
- Nasya (limpeza nasal): limpeza dos seios da face e tratamento para a mente;
- Rakta mokshana: limpeza do sangue.

Estas ações são realizadas de acordo com as necessidades de cada paciente, portanto nem sempre as cinco ações são utilizadas, variando caso a caso. Para realização do Panchakarma o paciente passa uma avaliação com um médico especialista em ayurveda para definir qual o tratamento mais adequado.

O Panchakarma também pode ser considerado um tratamento de rejuvenescimento. Não no sentido estético propriamente, mas no sentido de prolongar a vida e fornecer real vitalidade aos nossos tecidos. Esta é a concepção real de longevidade para o Ayurveda.

O processo do Tratamento:
O tratamento consiste em três etapas, que chamamos de "pré-operatório", "operatório" e "pós-operatório". Isso significa que passamos por uma preparação, pelos procedimentos em si e por um cuidado após o tratamento como se fosse um procedimento cirúrgico.

1) Preparação: após a consulta a pessoa deverá seguir uma dieta preparatória específica para aumentar a capacidade do fogo digestivo (agni) metabolizar as toxinas acumuladas. Esta dieta anti-ama (anti-toxinas) é indicada pelo período de 1 a 2 semanas. É indicado para o paciente a oleação interna gradual (ingestão de ghi - manteiga clarificada - ou óleo de gergelim) para preparação dos procedimentos terapêuticos.

2) Juntamente com a oleação interna, o paciente passa pela oleação externa, ou seja, massagens ayurvédicas e sauna (abhyanga e swedana) para mobilização e condução das toxinas que estão alojadas nos tecidos, preparando o corpo para a eliminação.

3) Tratamentos do panchakarma: começa-se, em seguida, os tratamentos especificos, dentre as cinco ações mencionadas anteriormente.

4) Pós- tratamento: em seguida o cliente recebe orientações sobre como manter a saúde e o tratamento para revitalização dos tecidos feito à base de nutrição alimentar e ervas específicas, yoga e reestruturação da rotina.

Efeitos do Panchakarma:
- melhora no metabolismo, no funcionamento do fogo digestivo (agni);
- órgãos dos sentidos mais apurados;
- melhora da vitalidade e resistência física;
- sensação de leveza e equilíbrio mental;
- limpeza das emoções e pensamentos negativos;
- aumento do vigor sexual;
- rejuvenescimento.

Algumas pessoas buscam o Panchakarma para emagrecer. Apesar deste não ser o foco do tratamento, em alguns casos temos perda de peso como um reflexo desta melhora na capacidade de digestão. Além disso, o tratamento nos faz rever nossos hábitos alimentares e criar mudanças significativas em nossas vidas, limpando não somente os conteúdos físicos mas também emocionais e mentais.

Contra-indicações ao tratamento:
- durante a gravidez ou logo após o parto;
- idosos debilitados;
- crianças;
- algumas doenças graves;
- anemia severa.

Duração:
Em média, o tratamento completo dura em torno de um mês (incluindo preparação alimentar que deve ser feita em casa nas semanas anteriores). É indicado que ele reserve duas semanas em que possa vir todos os dias para a clínica fazer os tratamentos que duram em média 1h. Caso isso não seja possível, serão agendados horários de acordo com a disponibilidade da pessoa.

Quer saber mais sobre o Panchakarma? Faça seu comentário no post ou por e-mail.

Patra potali














É uma massagem realizada com trouxinhas (pindas) de ervas anti-inflamatórias e óleo medicado morno. A massagem é feita com movimentos circulares no local da dor, seguida de aquecimento com vapor na região (swedana). As ervas e remédios naturais mais comuns utilizados para este tratamento são: mamona, arnica, neem, alho, coco ralado e óleo de ricino.
Patra potali é indicado para o alívio de dores associadas com inflamação, como artrite. Este procedimento tanto faz parte de um tratamento integrado quanto pode ser utilizado separadamente e em casos de emergência.

Duração: 1h
(o número de sessões varia conforme as condições inflamatórias do local)

Dúvidas? Escreva um comentário no post ou envie um e-mail.

Escalda pés e Padabhyanga

Nesta terapia realizamos uma massagem nos pés utilizando óleo morno medicado com ervas e pressão nos marmas (pontos de energia), o que provoca um relaxamento profundo e a ativação de pontos vitais que fazem com que o organismo reaja positivamente, nos retornando com mais disposição e vitalidade. Em seguida aquecemos os pés com escalda pés preparado com ervas de acordo com as necessidades de cada paciente.

O escalda pés é um tratamento muito antigo que promove instantaneamente o aquecimento geral do corpo, dando uma sensação de bem estar e acolhimento.

A combinação de massagem e escalda pés é indicada para aliviar tensões em geral, para ativar a circulação, promover aquecimento e disposição.

Duração: 1h

Esclareça suas dúvidas enviando um comentário no post ou e-mail.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Mitos e Verdades sobre Meditação

Em Sikkim, nas montanhas do Himalaia, a uma temperatura de 4,4º C, monges budistas tibetanos altamente versados em uma prática meditativa chamada Tum-mo yoga foram enrolados com pesados cobertores completamente molhados. Três a cinco minutos depois de iniciarem suas práticas meditativas era visível a evaporação da água, e em aproximadamente 45 minutos, a temperatura elevada de seus corpos tinha secado completamente todos os cobertores. Os mesmos monges foram capazes de repetir esta experiência por três vezes seguidas, sem que nenhuma delas tenha sido presenciada qualquer sensação de frio manifestada pelos monges. Estes monges foram conhecidos como “monges secadores de toalha”, por terem a capacidade de aumentar seus metabolismos com a técnica de meditação.

Em 1973, Kothari e sua equipe de cientistas pesquisaram um yogue de 70 anos, conhecido nas ruas da cidade de Udaipur, na Índia, por afirmar conseguir parar o seu coração. Satyamurti aceitou ficar confinado numa cela de 15 metros cúbicos, sendo totalmente monitorado por oito dias, sem comer nem beber, sentado em posição de lótus. No início do experimento seus batimentos cardíacos começaram a aumentar como se Satyamurti estivesse sofrendo uma taquicardia, mas sem que ele sofresse qualquer anormalidade no funcionamento de seu coração. Depois dessa taquicardia, a função cardíaca de Satyamurti foi tão reduzida que os instrumentos eletrocardiográficos não foram sensíveis o suficiente para detectar qualquer padrão elétrico. Supostamente seu “seu coração parou”, ou melhor, seu metabolismo diminuiu tanto que o eletro não conseguiu medir a atividade cardíaca e assim permaneceu por cinco dias.

Estes e outros experimentos abriram um leque de possibilidades de investigação a respeito da meditação, seus benefícios e de como o estudo da mente deveria ser mais aprofundado, como nós Ocidentais só estávamos enxergando “a ponta do iceberg” no que se trata de estudar a consciência humana.

Estes estudos, apesar de interessantes, podem assustar a maioria dos aspirantes à meditação ou faze-los desistir simplesmente pelo pensamento: “Ah, eu nunca vou conseguir fazer isto”. Entretanto, mais do que desenvolver habilidades mentais que transcendem a ciência, a meditação tem uma meta bem clara: ser uma via de transformação profunda da consciência, transformação esta que percorre os valores e a espiritualidade do ser humano.

Antes mesmo de definirmos meditação teremos que percorrer o caminho oposto, ou seja, descreveremos o que não é meditação, já que muitas confusões estão presentes no imaginário do senso comum. Alguns mitos que mais aparecem são:

Meditar significa não pensar em nada. Como podemos pedir para que nossa mente fique em branco durante a meditação? Se eu falar para você agora não pensar em um macaco branco, isso é possível de acontecer? Quanto mais nos esforçamos em travar uma luta contra nossos pensamentos, mais eles dominam a nossa consciência. Existe um estágio no processo de meditação em que os pensamentos cessam, mas é um processo que ocorre em decorrência da prática persistente, do esforço e do desapego.

Meditar significa fechar os olhos. Se esta fosse uma verdade, em todo momento de sono nós estaríamos meditando. Uma das formas de meditar é fechar os olhos para se reduzir os estímulos sensoriais, mas podemos também meditar caminhando, executando atividades com presença e concentração.

Só os monges e yoguis conseguem meditar de verdade. Esta é uma crença que dificulta o ingresso de praticantes urbanos que pensam constantemente: “Isso não é para mim, sou muito agitado!”. A meditação é intrínseca à rotina dos monges, mas é possível desenvolver este hábito mesmo com a agenda lotada, filhos, tendência à agitação. Tudo é uma questão de colocar a meditação como uma das suas prioridades na vida.

“Meditar” é o mesmo que “refletir”. Aqui no Ocidente temos este costume de dizer: “Vá e medite sobre o que você fez hoje!”ou “Eu meditei sobre minha relação e conclui que...”. Mas, meditar não é ocupar a mente com pensamentos, reflexões e sim deixá-la livre para que ela possa primeiramente acompanhar seu curso e gradualmente reduzir suas flutuações/distrações.

Sabendo que é possível meditar, o aspirante só deve estar disponível para estar consigo mesmo por alguns minutos, sem pretenção de atingir altos níveis de consciência, caminhando passo a passo, pois o que importa não é o resultado final e sim o caminho.

Para saber mais sobre pesquisas relacionadas à Meditação indico um livro bem especial:
"Neurofisiologia da Meditação: investigações científicas no yoga e nas experiências místico-religiosas: a união entre ciência e espiritualidade" de Marcello Árias Dias Danucalov e Roberto Serafim Simões - Editora Phorte.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Abra seu coração 1



















“Abra seu coração, abra seu sentimento, abra seu entendimento, deixe de lado a razão e deixe brilhar o sol escondido em seu interior”.

A culpa e a dificuldade de perdoar, segundo o Yoga e o Ayurveda, estão diretamente relacionadas ao desequilíbrio do quarto chackra (chamado de Anahata) da nossa antomia sutil. Os chackas são como filtros que nos permitem trocar informações, sentimentos e impressões com o exterior e, por sua vez, recebem as impressões vindas do mundo.

O quarto chackra, também conhecido como cardíaco governa sutilmente o coração, sistema circulatório, pulmões, ombros e braços, costelas e seios, diafragma e tem sua correspondência bioquímica com a glândula timo.

Timo vem de tymus, palavra grega que quer dizer energia vital. Esta glândula está bastante ativa na primeira infância e vai gradativamente diminuindo suas funções ao chegar à maturidade. Quando esta glândula está ativa o organismo não envelhece. O timo é um dos pilares de sustentação de nosso sitema imunológico, juntamente com as glândulas adrenais. É extremamente suscetível às emoções como o amor ou o ódio.

Estudos psicológicos diversos pesquisaram o impacto que nossos relacionamentos têm no sistema imunológico e concluiram que compartilhar sentimentos e situações que nos incomodam podem ter um impacto bastante positivo sobre nossa imunidade. É preciso desenvolver as qualidades positivas do quarto chackra que são amor incondicional e a compaixão. Para que o amor seja despertado, é necessário curarmos as feridas emocionais (mágoas) através do perdão e da liberação do passado e suas influências no presente.

Um exercício adaptado por mim que vem do Budismo tibetano pode ser utilizado para começarmos a nos mover em relação ao perdão:
1) Pegue uma folha de papel sulfite em branco;
2) Escreva de um lado da folha, no cabeçalho: "Eu me perdôo e me liberto por..." e acrescente livremente todas as coisas que você deve se perdoar, mesmo que no início pareça falso para você. Se vier novamente a mesma questão, coloque-a no papel quantas vezes ela surgir na sua mente naquele momento. Faça de uma vez só.
3) Do outro lado da folha o cabeçalho deve ser: "Eu perdôo e liberto...". Neste lado você colocará todas as pessoas e situações as quais você acredita que precisam do seu perdão até completar o final da folha.
4) Faça este exercício por uma semana todos os dias. Se puder extenda para 14 dias, 21 dias. Os budistas fazem por 21 dias, tempo este de digerir mais as emoções e se abrir realmente para que a cura aconteça.

Qualquer dúvida do exercício, mande um post ou e-mail. Boa prática!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Será o sonho uma realidade?













“A dimensão dos sonhos é um universo paralelo. Todas as coisas que ocorrem nesse tempo e espaço paralelos afetam diretamente nossa realidade física. A realidade da dimensão dos sonhos é tão antiga quanto nosso universo e contém todos os portões que nos permitem abrir novos níveis de consciência”. Jamie Sams

Uma das grandes chaves para compreensão dos sonhos é encara-los como uma arte vívida e real de nossa existência. Para a Psicologia Transpessoal, o mundo material tal qual nós o conhecemos também pode ser chamado de um “mundo de sonhos”, onde o ser humano sonha que está separado de sua identidade divina ou de Deus. Isso pode ser exemplificado através do sonho de Lao Tsé, um sábio chinês que sonhou ser uma borboleta azul e que, ao acordar não tinha clareza exata se o que havia vivido era um sonho ou a realidade. Não sabia se ele era um sábio chinês que havia sonhado ser uma borboleta ou se era uma borboleta sonhando que era um sábio chinês. Após muita indagação criou a teoria do Tao, onde a realidade nos é percebida sempre através das polaridades que visualizamos em nossa consciência.

Quando pensamos logicamente sobre o que é o sonho (aquele que temos quando estamos dormindo...) podemos dizer que ele é um estado de consciência que traz uma mensagem, uma parte de nós mesmos que experimenta o ser sem julgamentos e sem barreiras de tempo/espaço.

O sonho e a psicologia
A psicologia de Sigmund Freud foi a pioneira em considerar os sonhos como manifestações inconscientes. Até então a medicina o considerava um mero produto do sono, sem nenhum significado ou mensagem advindo desta experiência.

Para Freud o sonho manifesta um desejo inconsciente e os símbolos que surgem no sonho dizem respeito à códigos culturais universais tendo, portanto, um significado próprio.

Para Jung os sonhos são como fantasias inconscientes vagas que falam através de símbolos. Jung diz que o sonho “não disfarça nada”, nós é que não o compreendemos sua linguagem claramente. Ele também acredita que existem sonhos que manifestam arquétipos do inconsciente coletivo.

Para a Psicologia Transpessoal o sonho também é uma mensagem viva e real que aponta possibilidades múltiplas de ser, sincronicidades, visões de acontecimentos futuros e que envolvem toda a humanidade. O sonho é como um espelho de nosso ser; está além das dimensões de tempo/espaço e por isso nos parece por vezes caótico e sem lógica. O sonho pode manifestar os arquétipos bem como as COEX (sistemas de experiência condensada). Segundo GROF: “Cada sistema COEX consiste de memórias, emocionalmente carregadas de diferentes períodos de nossa vida (e de outras existências). O denominador comum que as une é o fato de fazerem parte da mesma qualidade emocional ou sensação física”.

O fato é que, se encararmos os sonhos como parte de nossa vida psíquica teremos mais chances de aproveitar suas mensagens e ampliar nossa percepção sobre nós mesmos. O que Lao Tsé compreendeu é que sonho e realidade não são antagônicos, mas sim a mesma dimensão da existência vista através da nossa
"'mente binária". A realidade é formada pelo todo desta experiência. Sonhando ou acordados estamos vivenciando esta mesma realidade através de pontos de vista diferentes, mas ela continua sendo a mesma realidade...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O que é Psicologia Transpessoal?



















A  psicologia pode ser simplificadamente dividida em quatro grandes correntes denominadas forças:
• Behaviorismo ou Psicologia Comportamental - criada por John B. Watson. Escola de pensamento que valorizou o estudo do comportamento humano através de experiências em laboratório. Reformulou os conceitos de consciência e imaginação, negando o valor da introspecção e do inconsciente. 
Psicanálise - criada por Sigmund Freud. Freud classificou psiquismo humano em id, ego e superego, contribuindo assim para o estudo da consciência. Sua teoria até hoje pode ser considerada uma grande base para as outras psicologias. Em sua escola é muito enfatizada a sintomatologia e o sofrimento humano, que viraram os principais objetos de estudo da psicanálise. Jung, discípulo de Freud bebeu no conhecimento por ele postulado mas, por algumas divergências teóricas, criou o que foi chamada posteriormente de Psicologia Analítica.
• Psicologia Humanista - surgiu nos Estados Unidos e na Europa na década de 50, fundada por Abraham Maslow. Esta escola de pensamento é baseada na fenomenologia existencial e foi desenvolvida como uma reação ao pensamento comportamentalista e psicanalítico vigente na época que, segundo esta teoria, enquadrava o ser humano em suas patologias e considerava-o como uma máquina. A psicologia humanista trouxe principalmente o valor das emoções, a existência humana para o foco de estudo, valorizando as experiências saudáveis e alega que o ser humano é um ser que principalmente está a busca de sua auto-realização, é um ser criativo, capaz de estar consciente de suas escolhas e valores.
• Psicologia Transpessoal – criada em 1968 por Vitor Frankl, Stanislav Grof, James Fadiman e Antony Sutich que unidos a Maslow e oficializaram-na como uma nova corrente de pensamento dentro de psicologia. Para esta linha de estudo além do homem ser um ser humano que visa à auto-realização ele é naturalmente um ser que busca a sua transcendência como forma de evolução. O pensamento transcendente, holístico passa a ser estudado por esta psicologia como algo que ultrapassa as noções de dualidade e separação ilusórias e cria a sensação de pertencimento do homem no universo.












Origens
A psicologia Transpessoal foi oficializada como uma forma de pensamento dentro da psicologia em 1968 nos EUA com o propósito de transformar e abordar temas que foram deixados de lado pela visão mecanicista de mundo que imperava desde o final do século e que ainda vem predominando na sociedade moderna atual. O paradigma newtoniano-cartesiano ocidental deste período - baseado nos pensamentos de Newton e Descartes - enfatizava que, para se estudar um fenômeno, deve-se observá-lo a partir das partes que o compõem.
Dentre os principais colaboradores deste movimento encontram-se Abraham Maslow, Antony Sutich, Stanislav Grof, Viktor Frankl, James Fadiman. Antes disto, no início do séc. XX, o psiquiatra Richard Bucke e o filósofo Wiliam James e Carl Gustav Jung já pesquisavam acerca dos fenômenos transpessoais da existência. Jung foi o primeiro a utilizar o termo transpessoal em suas teorias psicológicas, portanto é considerado um dos precursores deste movimento.

“A ciência é o melhor utensílio do espírito ocidental e pode abrir mais portas do que fariam as mãos nuas. Ela é, pois, parte integrante de nosso conhecimento. Ela não vela horizontes senão quando pretende ser a única maneira de se compreender o universo”. (C.G.Jung apud Danucalov, pg. 177, 2006)

“É sabido que a grande maioria dos cientistas de orientação materialista (que atualmente perfazem um número considerável) tem se oposto às doutrinas religiosas erigidas através dos tempos, assim como aos fenômenos considerados paranormais, místicos ou religiosos. Para eles, todos estes fatos não passam de fantasias, ilusões ou delírios, pois não podem ser adequadamente mensurados e comprovados em laboratório. Ora é sabido, também, que tais fenômenos transitam em um campo minado, muitas vezes permeado por fraudes grotescas. Contudo, da mesma forma que a sobrevivência do espírito, da alma ou da mente ainda não foi categoricamente comprovada, também não o foi a sua contrapartida, ou seja, não existem evidências, se assim podemos nos expressar, da não continuidade da consciência, uma vez findada a existência física”. (Danucalov, pg. 187, 2006).
“Temos condenado fatos em lugar de acusar a imperfeição de nossos instrumentos”. (Balzac – autor da Comédia Humana- apud Danucalov, pg. 181, 2006)

Tem raízes no existencialismo, no humanismo e na fenomenologia, encontrando subsídios nos mais recentes conceitos da física moderna, neurobiologia e informática.
Paralelo ao movimento da transpessoal e determinante de certa forma para esta abordagem ganhar força estavam os estudos da física quântica que passa a alegar que o Universo todo (matéria/energia) é uma entidade dinâmica em constante mudança num todo indivisível; os estudos sobre a holografia; o surgimento do movimento hippie que ao mesmo tempo em que trouxe a disceminação das práticas espirituais do oriente e sua filosofia também trouxe muita confusão no uso e na aplicação de técnicas que visam a transcendência.









O que é Transpessoal?
Esta palavra-conceito, evocando algo para além do convencional relacionado com a pessoa, presta-se a ser confundida em parte com temas mais difundidos do movimento New Age. Usando uma estratégia oriental para definir algo pela negativa, diga-se, desde já, que não se ocupa dos interesses daquele movimento tais como sistemas de adivinhação de futuro ou situações de outro tipo como invocações espirituais ou até ocultistas ("magias" e "trabalhos"). Esta confusão levou a que muitos académicos e psicólogos tivessem reservas sobre os fundamentos filosóficos e científicos, sobre o que é simultaneamente uma atitude de vida, uma vivência e um movimento - o Transpessoal.
O termo transpessoal foi adotado para abranger os relatos de pessoas praticantes de várias disciplinas da consciência que falavam de experiências de uma extensão da identidade para além da individualidade e da personalidade.
Podemos conceituar Psicologia Transpessoal como o estudo e aplicação dos diferentes níveis de consciência em direção à unidade fundamental do ser.
Nas definições iniciais apresentava-se como um movimento (com vivências ou experiências transpessoais, aplicações clínicas e sociais e investigação específica), que estava para "além dos objectivos egóicos” e estabelece a ponte entre práticas psicológicas e espirituais, tendendo a satisfazer a busca de um crescimento espiritual, até uma directa percepção do divino. De um ponto de vista psicoterapêutico a sua essência reside nas atitudes terapeuta, nas experiências transpessoais nas quais o paciente é o seu próprio terapeuta.

Bases teóricas
A perspectiva transpessoal identificou claramente que há uma necessidade maior no homem que é a necessidade de transcendência e evolução espiritual. É a Escola de Psicologia que pesquisa num nível científico a espiritualidade. Entretanto, é importante frisar que a Psicologia Transpessoal não é religião nem parapsicologia apesar de se interessar e investigar, quando necessário, estes aspectos e contextos da mente humana.
Engloba alguns conhecimentos das teorias psicológicas já existentes, principalmente aqueles oferecidos pela psicologia analítica e humanista, além dos conhecimentos da psicologia oriental.
O movimento Transpessoal, pretende o bem-estar bio-psico-emocional-social-cultural-espiritual, de acordo com o processo evolutivo da pessoa, usando preferencialmente os estados modificados de consciência em vígilia nos quais a pessoa (ou paciente) é o seu próprio terapeuta, integrando os conhecimentos das tradições orientais (xamanismo, meditação, etc.) e ocidentais (experiências místicas, de quase-morte, hipnose, sonho acordado, etc.) sobre aqueles estados obtidos pela ciência moderna.

Objeto de estudo: a consciência que é estudada em seus diferentes níveis e estados e abordada através de cartografias/ mapas que revelam o desenvolvimento integral do ser humano. Entretanto, a Consciência para a transpessoal não se limita às funções cerebrais. Ela é que funda e fundamenta a existência.

A Psicologia Transpessoal de um modo geral considera que cada abordagem psicológica já existente pode ser mais ou menos útil para determinado nível de consciência. Por ter um enfoque sistêmico, lança mão de uma abordagem transdisciplinar no processo de cura, englobando as diferentes áreas da saúde.

A psicologia transpessoal pode ser um caminho para:
• crescimento pessoal e social;
• compreender e vivenciar as dimensões espirituais na vida cotidiana;
• o desenvolvimento da criatividade e dos aspectos saudáveis do ser;
• o desenvolvimento da vontade, do propósito de vida e da conexão do ser com as necessidades de sua essência.

Como abordagem, a transpessoal dedicou-se a estudar temas como:
Transcendência do ego: ocorre quando a consciência pode se desidentificar de sua identidade pessoal limitada caminhando além da fronteira do eu.
Consciência unitiva: é a consciência de que, mais do que fazer parte do todo, somos o todo integrado e indivisível. É a consciência da não separação, da não dualidade.
Espiritualidade: apesar de ser comumente experimentada no contexto das religiões a espiritualidade para a transpessoal está norteada pela dimensão transcendente e é caracterizada por certos valores identificados em relação ao indivíduo, aos outros, à natureza, à vida e àquilo que é considerado Supremo ou Realidade Última.
Experiências transpessoais: experiências que desafiam as noções de normalidade e realidade postuladas pela ciência tradicional. Ocorrem em estados incomuns de consciência onde a dimensão tempo/espaço é rompida, o indivíduo é capaz de vivenciar a perda da dualidade entre o ser e o universo, a dissolução do ego. As experiências transpessoais mudam radicalmente a visão limitada do mundo e são a porta de acesso à outras dimensões da existência.
No mundo moderno, muitas pessoas sofrem de uma ou de ambas as principais crises atuais. Primeiramente, existe a "crise do sentido da vida". Em especial no Ocidente, mas se proliferando por todo o planeta, muitos vivem num vazio existencial, a vida não apresenta um sentido (além do puramente material). A psicologia e a educação transpessoal contribuem para a cura dessa enfermidade. A segunda crise é a da dualidade - não nos percebemos como entidades completas e únicas, estamos constantemente divididos entre diversos desejos e vontades. Vivemos nos comparando com outras pessoas ou situações numa atitude dualista. A psicoterapia e a educação transpessoal atuam na cura desta crise ao nos direcionar à harmonia e ao equilíbrio essenciais.

Visão de mundo da transpessoal
O olhar transpessoal pode ser aplicado a diferentes segmentos científicos e à sociedade como um todo. Existem alguns preceitos/princípios que caracterizam esta visão:

• Existem sistemas energéticos sutis que são inacessíveis aos nossos cinco sentidos, mas registráveis por outros sentidos.
• A natureza se renova a cada minuto, a energia que a compõe é eterna.
• A vida começa antes no nascimento e continua depois da morte física.
• A vida mental e espiritual forma um sistema suscetível de se desligar do corpo físico.
• A vida individual é inteiramente integrada e forma um todo com a vida cósmica.
• A evolução obtida durante a existência individual continua depois da morte física.
• A consciência é energia, que é vida, no sentido mais amplo: não apenas a vida biológica, física, mas também a da natureza, do Espírito, a vida-energia, infinita na suas mais diferentes expressões.
• Todo ser humano é um ser único, dotado de inúmeras potencialidades e em constante crescimento. Ele não deve ser hierarquizado ou rotulado.
• Auto-realização está intimamente ligada à evolução do ser humano nos níveis físico, mental, emocional e espiritual.

Para saber mais:
"Psicologia do Sagrado" de Eliana Bertolucci - Editora Ágora.
 "Neurofisiologia da Meditação: investigações científicas no Yoga e nas experiências místico-religiosas: a união entre a ciência e a espiritualidade"de Marcelo Árias Dias Danucalov e Roberto Serafim Simões - Editora Phorte.
"Toward a humanistic-phenomenological spirituality: definition, description, and measurement". Journal of Humanistic Psychology"de David Elkins, L. James Hedstrom et al - v.28, n.4, p.05-18, 1988.

"A Mente Holotrópica: novos conhecimentos sobre psicologia e pesquisa da consciência"de Stanislav Grof - Editora Rocco.

"Iluminação espiritual: o caminho da luz na tradição e na Psicologia Transpessoal"de Lilian de Andrade Patiri Costa Pinto - São Paulo: 1998. 394 p. Dissertação de Mestrado em Ciências da Religião – PUC-SP.
"As fronteiras da evolução e da morte"de Pierre Wiel - Editora Vozes
"O Espectro da Consciência"de Ken Wilber - Editora Cultrix.
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